
A realidade que moldura o cotidiano dos brasileiros nos últimos 15 anos foi profundamente alterada com o advento do Plano Real. A criação do padrão monetário que estabilizaria a economia brasileira, o Real, gerou o perfil de um Brasil diferente onde a remarcação de preços foi banida das preocupações diárias das famílias. A vida passou a ser mais bem planejada e a inflação deixou de corroer a renda dos trabalhadores e assalariados.
O anúncio do Plano Real foi igualmente um marco da comunicação entre o governo e a população. Tudo foi feito de forma transparente, sem congelamentos de preços nem confisco de depósitos bancários ou qualquer outro artificialismo da heterodoxia econômica. A população foi informada a cada passo trazendo “pedagogia democrática” ao País.
Os reflexos positivos do Plano Real se disseminaram no cotidiano nacional. Banido o confisco imposto pela inflação, foi possível implantar a disciplina fiscal dos gastos estatais estabelecida pela lei de responsabilidade fiscal para os administradores públicos em todos os níveis. No cenário da estabilidade econômica descortinou-se um leque possibilidades que possibilitaram indiscutível melhoria das condições de vida da grande maioria dos brasileiros.
Não podemos esquecer que a inflação é altamente benéfica para alguns grupos sociais e tremendamente perversa para a maioria da sociedade. O detentor do capital produtivo ou especulativo vende caro e compra barato. Já a maioria de trabalhadores e assalariados são os grandes prejudicados em razão dos seus rendimentos monetários serem fixos. Passam a pagar tudo mais caro, sem a contrapartida de ver seus rendimentos aumentarem.
O Brasil, por muitos anos, foi aquele operário chapliniano apertando a porca inflacionária numa especialização de futuro incerto. As várias alternativas de controlar e enjaular o monstro inflacionário sempre redundavam em monumentais fracassos.
A sua eliminação se daria no início de 1986, com a criação do Plano Cruzado, que atacou com formulação original a inflação galopante em um Brasil já redemocratizado. Economicamente bem fundamentado, mobilizou a sociedade brasileira tendo na saudosa figura de Dílson Funaro, ministro da Fazenda, o seu condutor com notáveis formuladores de política econômica ao seu lado. Infelizmente novo fracasso. Os remendos que se seguiram remeteram o Brasil a uma inflação incontrolável.
Em 1990, novo governo assume com uma proposta extravagante de congelamento monetário, tentando golpear o dragão da inflação recriando o cruzeiro como padrão monetário. Seria na continuidade mais uma tentativa que redundaria em fracasso, levando o próprio governo no turbilhão da insatisfação popular.
A posse do vice-presidente Itamar Franco se daria em um cenário de crise política, ética e econômica, com a espiral inflacionária ganhando enorme dinamismo. O novo presidente da República em 2 de agosto de 1993 cria o cruzado real com o corte de três zeros, onde mil cruzeiros passa a valer um cruzeiro real. À frente do Ministério da Fazenda, o então Senador Fernando Henrique Cardoso, conhecedor dos equívocos que mutilaram o Plano Cruzado, convoca uma equipe de competentes economistas e formuladores de políticas com profundo conhecimento da economia brasileira.
O presidente Itamar prestigiou o seu ministro e lançou com coragem a autêntica revolução econômica que seria implantada em 1° de julho de 1994. Criava o padrão monetário que estabilizaria a economia brasileira: o Real.
A eleição de Fernando Henrique Cardoso aprofundou e consolidou o Plano Real, buscando a modernização por intermédio de reformas capazes de eliminar estruturas atrasadas e injustas que travavam as potencialidades nacionais.
A moeda é a alma de um povo. O Brasil tem hoje uma moeda nacional que orgulha os brasileiros. Ao longo da sua formação histórica tivemos 10 padrões monetários.
O Plano Real foi mais que um programa de estabilização, embora seja reconhecidamente o mais bem- sucedido de todos os planos lançados para combater a inflação crônica.
O ciclo econômico gerado por esse padrão monetário vem sendo a força motriz para o reordenamento institucional da vida brasileira. O momento vivido pelo povo brasileiro, com todas as suas dificuldades, seria mais dramático se não existisse essa âncora de estabilidade. Preservar essa conquista, Herança Bendita, é dever de todos.
Senador Alvaro Dias – 1º vice- líder do PSDB

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