Observo uma crescente preocupação, particularmente de nossos
meios de comunicação, em questionar se o planeta tem recursos e capacidade para
alimentar sua população, que cresce ano após ano.
Há muita falácia e boa dose de paranoia sobre o assunto e
vejo muito neófitos (reculutas, como diriam alguns), tecendo considerações
assaz preocupantes sobre tão palpitante tema. Mas a humanidade está vivendo com
celeiros e lagares abarrotados, como nunca em outros tempos; e se há fome em
algumas regiões do planeta é por pura ignorância/ganância/prepotência, do bicho
homem.
Sou agrônomo e este ano completarei quarenta anos de
formado. Para mim, o planeta tem sim recursos naturais suficientes; e o homem
contemporâneo domina tecnologia e tem capacitação para produzir alimentos em
quantidade suficiente para atender à demanda, para pelo menos, o dobro de nossa
população atual. E sem derrubar florestas e sem comprometer a natureza e nosso
meio ambiente.
Analisemos especificamente nosso país continente. Apenas nas
áreas de cerrado, a maioria destas terras continua do jeito de desde sempre, e
só aí há potencial de produção de 200 milhões de toneladas de grãos por ano.
Mais que nossa atual produção de 162 milhões de toneladas, e esta terra está toda
aí, disponível e improdutiva. Um solo quase estéril, árido, difícil e
trabalhoso, mas ávido de cuidados, de correção de sua acidez, de alguns
nutrientes e principalmente de água.
Tenho que recordar Israel. Este país tem o tamanho de
Sergipe e população de seis milhões de pessoas. É a única democracia do oriente
médio e o único país na região onde os direitos do homem e da mulher são
iguais. Em Israel há um povo dedicado e estudioso. Ali está a população com o
maior percentual de diplomas universitários do mundo. O povo judeu transformou
imensas áreas desérticas em oásis de alta produtividade agrícola e pecuária.
Dominou a tecnologia de levar água ao pé das plantas (sistema gota a gota) e
possui em seu território, mais árvores hoje do que há cinquenta anos atrás. O
segredo? Tecnologia e Trabalho!Tiram renda, geram riquezas e melhoram
significativamente o solo que cultivam!
Então, apenas domando as áreas de cerrado brasileiro, (sei
que isso exige investimento pesado e trabalho árduo, mas os exemplos estão aí),
podemos mais que dobrar nossa produção.
Mas, conta na ponta do lápis, é rápido constatar que a
produtividade brasileira não alcança 2500 kg de grãos por hectare por ano. Ora,
com tecnologia adequada a TODOS nossos produtores rurais é perfeitamente
exequível alcançar o triplo desta produtividade.
Nós precisamos dotar quem produz e/ou transforma, com
recursos financeiros (crédito), e com tecnologia (há milhares de técnicos e
agrônomos e veterinários e zootecnistas e engenheiros agrícolas, fazendo
serviços burocráticos em escritórios do estado, ao invés de estarem junto aos
ruralistas). Precisamos mudar o sistema e colocar foco no relevante! Arregaçar
as mangas e suar a camisa, sempre ajuda!
Esta brincadeirinha de baixar IPI e de dar mais crédito para
comprar carro, para aquecer a economia, é de uma miopia e um estrabismo,
impressionante. Assustador, para dizer o mínimo!
Precisamos colocar dinheiro em nossa caótica infraestrutura
e onde há produção; e não em consumo porque nosso povo está pra lá de
endividado. Veja no mês passado (abril 2012) a taxa de inadimplência bateu
todos os recordes desde o ano 2000. A informação é do próprio Banco Central,
não é deste humilde escriba!
Segundo Dilma e Mantega e aliados, esta alta inadimplência é
função da crise mundial e desta Grécia que não toma jeito. M I S E R I C Ó R D
I A, mermão!!!
Com relação à produção de carne bovina, o caminho a
percorrer é longo. Estamos com 200 milhões de cabeças ocupando 200 milhões de
hectares de pastagens, (dos quais –pasmem-, 90 milhões degradados por erosão ou
ervas invasoras). Estamos com um boi por hectare. Dá para multiplicar por três
o nosso rebanho, sem aumentar um metro quadrado de pasto. Mas, é preciso orientar
o produtor, dar-lhe crédito e assistência técnica. Cuidá-lo porque o ruralista
precisa ser visto como fonte de riquezas e não como um mero pagador de
impostos.
Pecuária intensiva, com capins de alta performance permitem
cinco bois por hectare e boi criado apenas a pasto, reservando o milho e a soja
para outras finalidades mais
compensadoras. Para fins mais nobres.
Quem trabalha com agropecuária e tem um pouco de noção das
tecnologias existentes, sabe que podemos triplicar nossa produção de carnes e
de grãos, sem devastar ou derrubar uma árvore sequer. Isso vale para o nosso
querido Brasil e para muitos países desta aeronave chamada TERRA.
Os alarmistas de plantão podem dormir tranqüilos. E de
barriguinha cheia!Glória a DEUS!
Com carinho
João Antonio Pagliosa
Eng. Agrônomo pela UFRRJ em 1972 e servo de Deus, a partir
de 2007
Praia de Fora, 28 de maio de 2012

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