segunda-feira, 30 de julho de 2012

JORNAL SOL NASCENTE - COLUNA RURAL


Prezados amigos leitores, reproduzo aqui artigo do Xico Graziano, publicado dia 24 de julho passado no jornal O Estado de S. Paulo acerca da assistência técnica na área rural, leia-se nesse caso, Extensão Rural. Boa leitura.
NOVIDADE RURAL: o governo federal pretende criar uma agência para disseminar o conhecimento entre os agricultores. Democratizar o uso da tecnologia faz bem à agropecuária. Mas corre o risco de manipulação ideológica.
Anunciada durante o lançamento do último Plano de Safra, o formato do novo órgão, todavia, por ninguém foi esclarecido. Mendes Ribeiro, ministro da Agricultura e Abastecimento, apenas adiantou que "a Embrapa faz as pesquisas e essa nova agência vai levar a assistência técnica ao produtor, trabalhando de forma articulada". Boa ideia, a conferir.
A Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) compõe um capítulo querido, e saudoso, na história da agricultura. O pioneirismo coube a São Paulo, que desde 1926 introduziu o fomento rural nas suas atividades públicas. Logo depois, a Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav) de Viçosa (MG), atual universidade federal, organizou a primeira Semana do Fazendeiro (1929). Na década de 1940, o Ministério da Agricultura instalou País afora cerca de 200 "postos de mecanização" para demonstrar o avanço tecnológico na lide da terra.
Começaram, depois, a surgir as Associações de Crédito e Assistência Técnica Rural (Acars), formando, nos Estados, um movimento organizado de apoio aos agricultores. Em São Paulo, o trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural tomou rumo próprio. As antigas Casas da Lavoura surgiram, espalhadas nos municípios, e desde 1967 passaram a ser aglutinadas na Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), que as rebatizou de Casas da Agricultura. Nelas se encontrava o suprassumo das novas práticas agrícolas.
Quando nasceu a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1974, o governo federal quis assumir a liderança no processo de transferência de tecnologia, criando também a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater). O intuito era, com apoio das unidades estaduais - Ematers - tirar da prateleira os resultados da pesquisa agropecuária, pondo-os à disposição da massa dos agricultores.
Com a assistência técnica propriamente dita seguiam também recomendações de natureza socioeconômica - a extensão rural -, voltadas para a promoção humana. Época de ouro da sociologia e da economia rural. Os extensionistas complementavam a visão produtivista, preocupando-se com os processos de mudança social, a educação, a higiene, a alimentação, a cultura. Qualidade de vida rural.
Bons tempos. Nada suplantava o desejo profissional dos formandos das Ciências Agrárias de se dedicarem à assistência técnica oficial. Passar num concurso público da Cati, ou das principais Ematers, era um sonho a ser realizado, para ajudar o progresso tecnológico a vencer o atraso no campo. Os mais engajados politicamente achavam isso revolucionário.
Análise e correção do solo, adubação química, rações balanceadas, sementes melhoradas, irrigação, mecanização, era extenso o cabedal das principais ferramentas da modernização agrícola. A ordem era elevar a produtividade, integrar a produção, fortalecer o comércio, levantar a renda no campo. Anos dourados da revolução verde.
Paradoxalmente, porém, tudo mudou. Quanto mais se modernizava a agropecuária, mais minguava o sistema nacional de Ater. A Embrapa brilhava, a Embrater empalidecia. Sem prioridades, esta acabou extinta em 1990 (governo Fernando Collor). Nos Estados, as Ematers sobreviveram capengando. Em São Paulo, a Cati se enfraqueceu. Profissionais da área perderam prestígio. Glórias no passado, futuro incerto.
Ninguém explicou, ao certo, que razões levaram a essa triste decadência da Ater no Brasil. Três fatores ajudam a entendê-la. Primeiro, o forte crescimento das empresas de insumos modernos, atrapalhando a trajetória antes exclusiva dos agentes públicos na assistência ao campo. Segundo, o cooperativismo, pois ao reforçar o atendimento aos associados os liberou do apoio governamental. Terceiro, ao expandir-se o ensino superior, muitos profissionais passaram a atuar concorrentemente nos escritórios particulares de planejamento rural.
Parece, ademais, ter ocorrido certo descompasso entre a teoria e a realidade agrária. Enquanto aquela, acadêmica, permanecia tradicional, refletindo um tempo em que o engenheiro agrônomo precisava dar uma espécie de colherinha de Biotônico Fontoura na boca do caipira, a modernização capitalista trazia estímulos de mercado, obrigando o produtor rural a se modificar na marra. E, muitas vezes, a se mudar para a cidade, empurrado pelo êxodo rural.
Surgiram de uns tempos para cá, na onda da valorização da agricultura familiar, novas formulações para a Ater. Recente legislação configurou-a junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, pois o drama da (má) qualidade produtiva nos assentamentos da reforma agrária passou a exigir especial atenção do governo. Acontece que, além das notórias deficiências da infraestrutura, é necessário vencer a inaptidão dos beneficiários, normalmente constituídos por desempregados urbanos. Não é fácil converter invasores de terras em prósperos agricultores.
Qual a tarefa da nova Ater? Qualificar os assentados da reforma agrária e apoiar os agricultores familiares. Muito bem. Mas aí mora o perigo. Alguns agentes políticos que articulam a volta do sistema de assistência técnica visualizam a construção de uma "via campesina" para a agricultura, um caminho temerário que mistura ideologia esquerdista com romantismo bucólico.
Isso significa, na prática, abrir as portas para que certas entidades, utilizando verbas facilmente desviáveis, elevem a dominação política sobre os miseráveis do campo. Seria trágico. Emancipação, e não subordinação carece promover no campo.
AMIGOS DO PEIXE: conforme comentei na última Coluna, onde fiz convite para os piscicultores a participar da reunião dos Amigos do Peixe realizada no início de mês em Londrina, mas que infelizmente ninguém daqui de Assai participou, houve uma apresentação de saborosos pratos elaborados com polpa de tilápia. Os acadêmicos do curso de Gastronomia da UNIFIL, de Londrina, Gilberto Hildebrando e Adriana Regina Seco, com supervisão dos professores Cláudia Hintz e Joelson Feliciano, mostraram como se manipula e prepara quitutes com esse produto já que é uma novidade na área de alimentos. Inicialmente foram feitos testes de textura, rendimento e sabor, e na sequencia, construídos os seguintes produtos: Farofa de tilápia, Ragu de tilápia, Hambúrguer de tilápia, Bolinho de tilápia, Torta Bandeira de tilápia, Bolinho de arroz com tilápia, linguiça de tilápia, Almôndegas de tilápias, Torta de liquidificador de tilápia e Quibe de tilápia. Encerrando a apresentação, foi servido aos presentes alguns desses pratos que podem ser vistos na foto ao lado. Aproveito para convidar, novamente todos os produtores de Assai e região, a participar da próxima reunião que acontece no dia 13 de agosto, no Sindicato Rural Patronal de Londrina, a partir das 14 horas. Para esse dia, haverá uma apresentação do Gerente Nacional de Aquicultura, da Poli Nutri Alimentos, Pedro Dezen, sobre Fábrica de Alimentos. Na sequencia, teremos a palestra Cooperativismo: Modelo de Organização e Gestão do Condomínio de Produção de peixes em Tanques Rede em Itambaracá, pelo Engenheiro Agrônomo do Instituto Emater, Miguel Antonucci. Finalizando a reunião, a palestra Resultados da Vacinação em Pisciculturas de Tanques rede, pelo médico veterinário Rodrigo Zanollo, Gerente Nacional de produtos da MSD. Após o encerramento, será servido aos convidados um happy hour. A reunião é aberta a todos, participe.
JANTAR TEMÁTICO: Dia 31 de agosto vai acontecer o Jantar do Peixe, com todos os pratos feitos à base de peixes cultivados. Será no Clube da Costela, em Londrina. Deixe agendado esse dia, vá com sua família e convide seus amigos. Na próxima edição da Coluna Rural trago mais informações.
REFLEXÃO:
As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”Fernando Pessoa

Luiz Eduardo Sá Barreto
Eng. de Pesca

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